Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010 
Uma publicação do Brazilian Pacific Times
T E C N O L O G I A

Segurança: a culpa é nossa

O que está por trás das novas ameaças que colocam em risco a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações? Qual é o real gerador dos impactos provocados por uma rede de computadores inoperante, pelo vazamento de informações confidenciais, pela interrupção de processos de negócio e a paralisação de uma linha de produção?

Instintivamente somos levados a responder as perguntas baseando-nos na primeira percepção das ameaças que estão mais próximas dos fatos mencionados. É verdade que um vírus de computador pode ter tornado toda sua a equipe improdutiva temporariamente por impedimento de acesso a um sistema ou ainda, que a falta de energia possa ter interrompido seu fluxo de produção. Mas são percepções distorcidas que só dificultam a análise da situação e minimizam o poder de prevenção e reação.

É notório que o conhecimento do ser humano cresce ano a ano e assim, o fruto da aplicação desse mesmo conhecimento. Novas tecnologias, novas ferramentas, novas formas de se fazer a mesma coisa. É o progresso e suas inovações. Os vírus de computador, as técnicas de ataque, os sistemas eletrônicos de controle de transmissão de energia ou ainda as máquinas que suportam um processo produtivo mudaram e continuarão mudando, portanto, o que parece ser a causa dos riscos de hoje, só faz esconder seus verdadeiros responsáveis: as pessoas.

Independente do lado em que estejam seja na proteção ou no ataque, as pessoas são os reais agentes de ameaça e que diariamente exercitam formas diferentes de alcançar seus objetivos.

Há décadas, quando o termo “vírus de computador” se popularizou através de pequenos programas escritos em linguagens nada amigáveis de programação, que se hospedavam na trilha zero de velhos discos de 360 Kilobytes para embaralhar a tela verde do monitor, as pesoas que estavam por trás eram as mesmas que agora criam os “modernos”, ao menos até o próximo semestre, vírus polimórficos.

A arma mudou, acompanhou a evolução tecnológica, mas sua eficácia continua e continuará atrelada à deficiência das extremidades, ou seja, do comportamento dos usuários e técnicos. Se na época aquele vírus era considerado uma ameaça real, era porque conseguia explorar falhas comportamentais dos usuários, que por sua vez, potencializava a exploração de outras falhas técnicas intermediárias. Sabemos que sistemas e máquinas falham, mas estar atento a eles e solucionar seus problemas no menor tempo possível é papel das pessoas.

Não culpem os antivírus, pois são igualmente intermediários no processo de geração de risco. Muitos são realmente eficazes, mas tornam-se incapazes de cumprir integralmente o seu papel porque foram mal “instruídos” por seus controladores. Se um vírus ou spyware copiou e corrompeu sua base de dados foi provavelmente porque alguma pessoa não atualizou a vacina ou simplesmente porque foi irresponsável ao executar um programa de fonte desconhecida. Se o sistema de fornecimento de energia falhou e seu ambiente era crítico e pouco tolerante à falhas, houve incompetência de alguém no provisionamento de uma solução alternativa compatível com a sensibilidade do ambiente.

Se informações armazenadas em meios físicos ou mesmo digitais, vazaram, não foi porque a rede estava frágil ou porque o processo de criação e manutenção de senhas era falho, mas porque os agentes que estavam por trás deles não souberam projetar situações de risco e adotar os controles adequados, seja na especificação da arquitetura da rede seja na elaboração de uma política de senhas rígida o bastante.

O comportamento das pessoas diante de medidas e contramedidas de segurança faz toda a diferença. A perenidade dos seres humanos é certa e, apesar da tendência apontar para um cenário de integração cada vez menor, eles sempre estarão por trás das decisões, dos controles e das armas. Essas sim, tendem a mudar muito rapidamente. Desta forma, não seria nada inteligente montar uma estratégia de segurança baseada na variável da equação, na porção mais imprevisível, quando a peça chave e felizmente, aquela que já se conhece há tempos, continua sendo o homem.

-Marcos Sêmola
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